quarta-feira, 29 de junho de 2016

Uma Fábula Fabulosa

Vamos Contá Causos...



                                Uma Fábula Fabulosa



                  Todos conhecem a fábula de La Fontaine, cujo tema versa sobre: o trabalho, representado pela valorosa formiga e a preguiça,  pela alegre  cigarra.
                   O que vou escrever abaixo, não visa diminuir em nada a grandeza desta maravilhosa obra. Mas sim, ressaltar o poder  criativo do povo brasileiro, na arte de manipular valores de maneira alegre e extrovertida.
                   Feito este pedido de desculpas ao mundo e em particular ao povo francês, inicio então a  narrativa  desta fábula adaptada.
                   Num dia de sol muito claro e ondas de forte calor, estava num banco de uma praça, uma cigarra a cantar insistentemente. Perto deste banco, transitava uma laboriosa formiga, transportando em seus ombros, folhas, alimentos, pedaços de caules secos das plantas, sempre no sentido de sua casa, e pedras e torrões de terra, em seu trajeto de volta, visava com isso, limpar e ou, aumentar seu habitat. Numa dessas muitas idas e vindas da formiga, ela parou perto da cigarra, e interrompendo seu canto, advertiu-a.
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--- Cigarra, cigarra... para de cantar e trabalhe um pouco...  porque a hora que o inverno chegar, você vai passar maus pedaços.
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--- Que nada... você preocupa muito formiga, a vida não é só trabalho não... é lazer também.
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                  A formiga vendo que falar com ela, era como “malhar em ferro frio”, continuou seu trabalho e deixou a cigarra espantar seus males, através do canto.
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                  Passou-se os anos, a formiga como todo ser vivente, trabalhou seus trinta e cinco anos, e conseguiu a glória de se aposentar pelo o INSS. E um dia, sentindo os problemas comuns a quem trabalhou a vida toda, praticando grandes esforços físicos, começou a ter problemas de artrose, artrite e desvio de coluna. Como sua pensão era pequena, procurava viver uma vida regrada, evitando de toda forma gastar seu dinheirinho sempre que podia. E justamente neste dia, estando muito atacada por fortes dores em virtude de suas doenças crônicas, com muita dificuldade foi para a praça onde permaneceu na calçada, à espera de um lotação que a levasse até próximo a um posto do INPS, onde pretendia tirar uma ficha para uma futura consulta médica. Estava então ela encostada no poste que sustentava a placa, que por sua vez anunciava o ponto do lotação, quando passou uma Ferrari vermelha do tipo  conversível, com sua capota recolhida.
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                Adivinha quem estava dirigindo? Exatamente, você acertou. A cigarra. A mesma cigarra de anos atrás.
                Ao passar com seu carrão pelo ponto de ônibus, ela reconheceu a laboriosa formiga  que ali estava esperando o 1017, que fazia a linha que passava perto do posto do INPS.
                  Não se contendo, deu aquela freada brusca fazendo cantar os pneus, e recuou até onde estava sua velha amiga. Descendo então do carro foi dar um abraço na velha guerreira. Mas não pôde. Em virtude do estado dolorido da amiga, se limitaram a um leve aperto de mãos. E sorridente a cigarra falou.
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--- Mas que surpresa agradável, te rever  minha amiga, como você está?
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--- Esse caquinho aí... mas você parece que está muito bem... cabelos grandes... roupa bonita... aquele carrão...
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--- Pois é, você se lembra daquele dia em que nós nos falamos ali na praça..., pois é... depois que você foi embora, me apareceu um francês caçador de talentos, e agradando da minha voz...  me fez uma proposta irrecusável.   Levou-me para a França... lá eu gravei um monte de CDs... comprei uma linda casa na Avenue Champs-Élysées... comprei outra aqui em são Paulo e um apartamento na praia... já tenho três carros importados e já estou de volta  para lá de novo. Vou agora pegar o avião.
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--- Ah!... você então está indo para lá?... Agora?
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--- Sim, porque  deseja alguma coisa?
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--- Sim... se por acaso você encontrar por lá um tal de La Fontaine, você me faz um favor... vê se manda ele pra (!)... mas não esquece não, por favor.



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