Vamos Contá Causos...
As
aparências enganam
Havia em um município, um fazendeiro muito ardiloso que procurava todos os meios para vencer na vida. Trabalhava muito, desde cedo até à noite. Podia se dizer que era uma pessoa muito digna e honesta por excelência. Pois em toda redondeza, não havia ninguém quem não o conhecesse e o recomendasse. Porém, como disse Saint-Exupéry: “nada é perfeito”, e confirmando esta máxima, este fazendeiro não gostava de pagar impostos. E para burlar a fiscalização do governo, ele fazia de tudo. Administrando esta fazenda com muito carinho, ele em uma estufa muito bem construída, cultivava plantas ornamentais e flores de todos os tipos, que com as quais, abastecia duas lojas de floricultura que possuía na cidade vizinha à sua fazenda. Do mesmo modo, mantinha uma manga de porcos em sua propriedade, e já os levava abatidos para seu açougue, que ficava também próximo a estas duas floriculturas. Desta maneira produzia ele suas próprias mercadorias, e com as quais mantinham seu comércio em ritmo ascendente.
Em virtude da sonegação, começou o governo a
fiscalizar suas atividades. E em consequência disso, foi designado numa tarde
de uma sexta feira, dois fiscais da Receita Federal, para dar cabo a esta
missão.
Eram mais
ou menos três horas da tarde, quando um fusquinha na cor cinza, estacionou à
sombra de uma árvore, na estrada de acesso à fazenda, com ordem de parar e
inspecionar todos os veículos que por lá passassem. Com esta providencia,
visavam eles autuar o fazendeiro sonegador, quando por lá passasse no dia de
hoje, com suas cargas para as lojas da cidade.
Não
tardou muito para que o empresário do campo, tomasse conhecimento da
providência da fiscalização. E comentou com um empregado seu.
--- Logo agora que estou com
grande quantidade de flores colhidas e um porco abatido... e amanhã ainda por
cima é sábado, o dia em que as lojas vendem mais...
--- È patrão... mas se eu fosse o
senhor, não me arriscaria passar por lá não... porque eles estão parando todos
os veículos e olhando tudo. Disse seu ajudante.
--- Isso não... eu não vou perder
esta mercadoria de jeito nenhum... tem que haver um jeito. E pensando desta
forma começou a planejar uma saída para
fazer a entrega em suas lojas.
Quando foi lá pelas seis horas da tarde, chamou seu empregado e mandou que trouxesse um caixote comprido que havia no celeiro da fazenda. Com um serrote, um martelo e alguns pregos, colocou este caixote com a aparência de um caixão mortuário. Depois disso, mandou que colocasse o porco dentro dele e ajeitasse as flores por cima dele, cobrindo-o de uma tal forma que mal ficou de fora, somente a sua cara. Pegando de dois, colocaram o caixão na carroceria da camioneta e do lado desta, o restante das flores que não couberam dentro. Feito isso partiu para a cidade. Ainda não eram sete horas da noite, quando o motorista do fazendeiro parou no posto de fiscalização, improvisado pela Receita.
--- Boa noite... disse um
dos fiscais com uma lanterna na mão, com a qual fazia sinal para que os
veículos parassem.
--- Boa noite... respondeu
ele de dentro da sua condução.
--- Somos fiscais do
governo, e precisamos inspecionar seu veículo. O que o senhor está
transportando? Perguntou novamente um dos fiscais.
--- Um defunto...
respondeu o fazendeiro, antes de seu motorista.
--- Um defunto ? como
assim?... agora de noite?.... quis saber a fiscalização.
--- É... é de pessoa simples..., mas como na roça as coisas são
mais difíceis, e a única condução que tem por aqui é a minha camioneta... como
eu não tive tempo de dia, tenho que fazer isso à noite... mas está ai em cima
pode olhar se quiser...
Enquanto um dos fiscais
ficou conversando com o fazendeiro, o outro se incumbiu de dar uma olhada na
carga. Este então, subiu na carroceria e agitando sua lanterna por cima das
flores que rodeavam o caixão, gritou.
--- Tudo bem...
--- Olhou dentro do caixão?
Perguntou o outro que tinha ficado em baixo.
--- Mas... precisa? Tornou o que
estava em cima.
--- Lógico... respondeu o outro.
O fiscal
então meio trêmulo, levantou a tampa do caixão e jogando o foco dentro, deu uma
rápida olhada fechando-o novamente. E
pulando de cima, disse para o outro.
--- Pode deixa-lo ir.
Este
então fazendo sinal com a mão disse.
--- Tudo bem... pode seguir. Vai com Deus.
A
camioneta se arrancou e foi embora.
Os
guardas então voltaram pra dentro do carro
e depois de uns minutos de silêncio, o que tinha ficado conversando com
o fazendeiro disse.
--- O que aconteceu?... parece
que você está assustado por ter visto um defunto?
--- Não sei não viu... não sei se
é porque estamos aqui o tempo todo procurando encontrar porco abatido... parece
que a gente vai ficando sugestionado.
--- Mas porque você diz isto?
Quis saber o outro.
--- Aquele defunto... você pode
não acreditar, mas eu vi nele a cara de
um porco...



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