Em Vamo Contá Causos..
Um triste engano...
Eu devia estar com mais ou menos uns quinze
ou dezesseis anos, quando este fato aconteceu. Por essa época, eu era estudante
da Escola Profissional Eugênio Feio, onde tinha grandes amizades. Essa fase da
minha vida ficou marcada pela sinceridade e união que existia entre nós os
alunos deste educandário.
Para exemplificar melhor o que eu quero dizer, eu
cito um colega que chegou transferido de uma outra cidade, com o ano letivo já
em andamento. Metido a gozador, já no segundo dia de sua estadia entre nós,
ele armou uma brincadeira na sala com
meu nome, e todos riram. Apesar de não me lembrar mais o que ele tinha feito,
mas me lembro perfeitamente da reação que tive. Falei pra ele que não sabia
porque, mas eu não ia com a cara dele. E ele rindo, me respondeu. Também não
sei porque, mas eu também não vou com a sua. E no entanto, fomos grandes amigos
e formamos juntos.
Ele, morava num bairro chamado Fonte grande,
e fora da escola, sua turminha era uns garotos do próprio bairro. Eu não,
residia no bairro do Rosário, e minha turma era formada por garotos do bairro
São sebastião, local onde eu fora criado.
José Lúcio e seus amigos, saiam todas as noites
e só “aprontavam” pela rua. Eu também saia, mas não com a frequência dele.
Muitas vezes, preferia ficar em casa estudando, principalmente quando
aproximava o período das provas mensais.
Ele e
sua turma, andavam por toda a cidade, e numa determinada fase deste tempo, ele
junto com seus amigos, começaram a frequentar durante às noites, a parte baixa
da cidade. E para isso, eles passavam em frente à minha casa, pois era o
caminho mais curto para chegar onde queriam. Muito bagunceiros, quando passavam
em frente à minha residência, José Lúcio gritava o meu nome de guerra da escola
que era “Batista”. A princípio ele gritava sozinho, mas depois seus colegas
começaram a gritar juntos fazendo um coro só.
Bom, quando eu estava em casa e
ouvia, saía à varanda e respondia a brincadeira acenando pra eles, mas na
maioria das vezes que isto aconteceu, eu não estava presente.
Um belo dia, na hora do recreio José Lúcio,
“o vidraceiro”, apelido que tínhamos dado a ele por que usava óculos, chegou
perto de mim, rindo muito e bastante vermelho, disse.
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Ah! Batista... não te conto nada, cara... ontem quando estávamos em frente a
sua casa, um “baita” de um cachorro policial fugiu do portão de uma casa perto
da sua, e deu uma corrida em nós... eu nunca vi, cara... foi menino pra todo
lado... uns desceram naquele mato que fica em frente sua casa e saíram na rua
de baixo... outros desceram a sua rua numa disparada só... por pouco ele não
pegou um de nós... acho que ele só não pegou, por que éramos muitos e ele ficou meio sem saber a quem
perseguir, cara...
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Ah! “Zé Lúcio”..., vocês deram foi uma sorte danada..., porque aquele cachorro
é muito bravo... ele é de um casal de velhos que mora na primeira casa acima da
minha.
Rimos bastante e fizemos muitos comentários a
respeito daquele acidente, mas foi no domingo seguinte pela manhã, que eu
fiquei sabendo o que na verdade acontecera naquela noite. Eu estava ainda
deitado, e já era mais de dez horas da manhã, em meu quarto, que ficava próximo
à cozinha, onde a minha mãe conversava com a Dona Dedé, a vizinha que era a
dona do cachorro. Ela era bem mais idosa que minha genitora, e com sua voz meio
rouca, falava.
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... Dona Alaíde.... é uma corja de vagabundos... toda noite eu e o “Zé” ( este
Zé, é o marido dela), sentamos naquele banco que temos na frente da casa... e
de uns dias para cá, eles passam por nós conversando normalmente, quando chegam
um pouquinho mais embaixo, começa a mexer com a gente nos chamando de crentes e
todos gritam “batista”... batista... batista”, ah! dona Alaíde... a senhora
sabe como o Zé é esquentado... esta
semana ele soltou o cachorro e por pouco ele não pegou um...


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