quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um Triste Engano...

Em Vamo Contá Causos..





Um triste engano...




Eu devia estar com mais ou menos uns quinze ou dezesseis anos, quando este fato aconteceu. Por essa época, eu era estudante da Escola Profissional Eugênio Feio, onde tinha grandes amizades. Essa fase da minha vida ficou marcada pela sinceridade e união que existia entre nós os alunos deste educandário.
 Para exemplificar melhor o que eu quero dizer, eu cito um colega que chegou transferido de uma outra cidade, com o ano letivo já em andamento. Metido a gozador, já no segundo dia de sua estadia entre nós, ele  armou uma brincadeira na sala com meu nome, e todos riram. Apesar de não me lembrar mais o que ele tinha feito, mas me lembro perfeitamente da reação que tive. Falei pra ele que não sabia porque, mas eu não ia com a cara dele. E ele rindo, me respondeu. Também não sei porque, mas eu também não vou com a sua. E no entanto, fomos grandes amigos e formamos juntos.

Ele, morava num bairro chamado Fonte grande, e fora da escola, sua turminha era uns garotos do próprio bairro. Eu não, residia no bairro do Rosário, e minha turma era formada por garotos do bairro São sebastião, local onde eu fora criado.

José Lúcio e seus amigos, saiam todas as noites e só “aprontavam” pela rua. Eu também saia, mas não com a frequência dele. Muitas vezes, preferia ficar em casa estudando, principalmente quando aproximava o período das provas mensais.

 Ele e sua turma, andavam por toda a cidade, e numa determinada fase deste tempo, ele junto com seus amigos, começaram a frequentar durante às noites, a parte baixa da cidade. E para isso, eles passavam em frente à minha casa, pois era o caminho mais curto para chegar onde queriam. Muito bagunceiros, quando passavam em frente à minha residência, José Lúcio gritava o meu nome de guerra da escola que era “Batista”. A princípio ele gritava sozinho, mas depois seus colegas começaram a gritar juntos fazendo um coro só. 
Bom, quando eu estava em casa e ouvia, saía à varanda e respondia a brincadeira acenando pra eles, mas na maioria das vezes que isto aconteceu, eu não estava presente.
Um belo dia, na hora do recreio José Lúcio, “o vidraceiro”, apelido que tínhamos dado a ele por que usava óculos, chegou perto de mim, rindo muito e bastante vermelho, disse.

--- Ah! Batista... não te conto nada, cara... ontem quando estávamos em frente a sua casa, um “baita” de um cachorro policial fugiu do portão de uma casa perto da sua, e deu uma corrida em nós... eu nunca vi, cara... foi menino pra todo lado... uns desceram naquele mato que fica em frente sua casa e saíram na rua de baixo... outros desceram a sua rua numa disparada só... por pouco ele não pegou um de nós... acho que ele só não pegou, por que éramos  muitos e ele ficou meio sem saber a quem perseguir, cara...

--- Ah! “Zé Lúcio”..., vocês deram foi uma sorte danada..., porque aquele cachorro é muito bravo... ele é de um casal de velhos que mora na primeira casa acima da minha.

Rimos bastante e fizemos muitos comentários a respeito daquele acidente, mas foi no domingo seguinte pela manhã, que eu fiquei sabendo o que na verdade acontecera naquela noite. Eu estava ainda deitado, e já era mais de dez horas da manhã, em meu quarto, que ficava próximo à cozinha, onde a minha mãe conversava com a Dona Dedé, a vizinha que era a dona do cachorro. Ela era bem mais idosa que minha genitora, e com sua voz meio rouca, falava.

--- ... Dona Alaíde.... é uma corja de vagabundos... toda noite eu e o “Zé” ( este Zé, é o marido dela), sentamos naquele banco que temos na frente da casa... e de uns dias para cá, eles passam por nós conversando normalmente, quando chegam um pouquinho mais embaixo, começa a mexer com a gente nos chamando de crentes e todos gritam “batista”... batista... batista”, ah! dona Alaíde... a senhora sabe como o Zé é esquentado...  esta semana ele soltou o cachorro e por pouco ele não pegou um...



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